Revolução energética

por Fabi Lins 136 views0

Pequenas e médias empresas poderão escolher seu fornecedor de energia em 2024 e economizar até 40% na fatura

O setor elétrico brasileiro terá um dos marcos mais importantes de sua história no dia 1º de janeiro de 2024. Na data, entrará em vigor a portaria 50/2022 do Ministério de Minas e Energia (MME), que permite a pequenas e médias empresas (PMEs) migrarem para o Mercado Livre de Energia – ou Ambiente de Contratação Livre (ACL) -, no qual poderão negociar diretamente com os fornecedores de energia as melhores tarifas.

O Mercado Livre de Energia existe no Brasil desde meados da década de 1990, responde por 37% do consumo total de energia elétrica do país e tem 36.329 consumidores. A maioria, indústrias e empresas de grande porte, com contas de energia na faixa de R$ 50 mil, as únicas para as quais o modelo está disponível atualmente.

Com as novas regras, pequenos e médicos negócios, como padarias, restaurantes, bares, hotéis, e pessoas físicas que gastam a partir de R$ 7 mil de energia também poderão aderir a essa modalidade. São cerca de 72 mil potenciais consumidores, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), órgão que reúne todos os integrantes do setor.

Conta de luz mais barata e personalizada

A possibilidade de conseguir uma redução mensal de até 40% na conta de luz com a migração para o Mercado Livre de Energia é uma das principais vantagens para PMEs, que podem utilizar os recursos economizados para investir no próprio negócio, aumentando a competitividade do negócio.

Além disso, esses consumidores poderão ter um serviço personalizado, escolhendo a operadora que atenda melhor aos seus interesses e determinar, por exemplo, períodos em que o consumo de energia é menor, estipulando isso em contrato. Outro ponto positivo é a possibilidade de optar por fontes de energia sustentáveis, o que agrega valor à marca.

Diante de tantos benefícios potenciais, muita gente já está se preparando para a mudança. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), mais de 10,6 mil empresas de pequeno porte, comércios e condomínios informaram às distribuidoras que irão migrar para o Mercado Livre de Energia a partir de janeiro de 2024.

O processo demora seis meses e envolve algumas etapas. Entre elas, a contratação de uma empresa comercializadora de energia no varejo para intermediar a compra no Mercado Livre de Energia. Um exemplo desse tipo de empresa é a LUZ, primeira fornecedora digital de energia do Brasil, criada em 2022 pelo Grupo Delta Energia.

Fundado em 2001 e responsável por transacionar 5 mil megawatts (mW) médios por mês no Mercado Livre (8% do consumo de energia no país), o Grupo Delta Energia pretende conquistar pelo menos 15% dos novos consumidores que chegarão a esse mercado em 2024. Para isso, está investindo em várias frentes, com destaque para a de tecnologia.

“A tecnologia é fundamental para atender uma grande quantidade de consumidores com custos competitivos e constituir um diferencial no mercado.”

Luiz Fernando Leone Vianna, vice-presidente Institucional e Regulatório do Grupo Delta Energia

Tecnologia como diferencial competitivo

O desenvolvimento de ferramentas tecnológicas permite uma gestão mais inteligente e eficaz dos recursos energéticos, promovendo acesso a informações precisas, eficiência energética e economia para o consumidor, e diferencial competitivo para as operadoras

Um exemplo de aplicação da tecnologia no setor é um medidor inteligente implementado pela LUZ. O software é instalado no quadro de energia elétrica, permitindo a gestão e o controle do consumo de estabelecimentos comerciais e industriais conectados em média e alta tensão, garantindo o controle e a previsibilidade da fatura de energia elétrica. A ferramenta foi desenvolvida pela Wisebyte, empresa do Grupo Delta Energia especializada em desenvolvimento de softwares de alta complexidade, performance e escalabilidade.

Revolução no setor elétrico

O Impulsionamento do desenvolvimento tecnológico e os descontos na fatura mensal estão entre os diversos benefícios da abertura do Mercado Livre de Energia para a sociedade. E o seu acesso a PMEs pode ser o primeiro passo para uma revolução no setor energético semelhante à ocorrida em outros segmentos da economia, que tiveram crescimentos exponenciais após a privatização.

Na telefonia brasileira, por exemplo, o número de acessos na rede móvel subiu de 7,4 milhões em 1998, quando foi privatizada, para 251 milhões até o primeiro trimestre deste ano, segundo a Conexis Brasil Digital, associação que reúne as empresas de telecomunicações e de conectividade. Na televisão por assinatura, que pode ser oferecida por operadoras telefônicas, o total de assinaturas passou de 2,6 milhões para 27 milhões, no mesmo período.

“No setor elétrico, temos muito a avançar, mas estamos no caminho certo”, afirma Vianna. De fato, segundo último o levantamento da CCEE, o Brasil bateu recorde de migrações de consumidores livres de janeiro a agosto de 2023. Foram 4,8 mil solicitações de adesão em oito meses, alta de 65% a mais que em todo o ano de 2022.

A tendência é que esses números aumentem a partir de 2024 e sigam crescendo nos próximos anos. “Esse é o primeiro passo para uma adesão gradativa e massiva da população brasileira ao Mercado Livre de Energia”, afirma o vice-presidente Institucional e Regulatório do Grupo Delta Energia.

Quando isso acontecer, a economia na conta de energia elétrica pode chegar a R$ 35 bilhões por ano, beneficiando todas as classes de consumidores, sobretudo os de baixa renda, que teriam de 7,5 a 10% de descontos adicionais, segundo a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel).

Texto original no UOL