usiness Week, de 20 de Janeiro
traz a informação de que dois
cidadãos da Califórnia, Jim McKenna e John Lieberman vêm, há algum tempo,
colecionando os CDs de oferta de serviços da AOL - American On Line (que são
também familiares a muitos brasileiros). O objetivo da dupla é juntar 1
milhão dessas peças de mala direta e enviá-las de volta à séde da AOL, que
fica em Dulles, estado de Virginia.
A dupla considera a estratégia promocional da empresa de serviços de
internet (e sócia indesejada da Warner) como perdulária, além de importuna.
"Queremos que eles encontrem um outro jeito, menos invasivo, de promover os
seus serviços".
McKenna e Lieberman criaram um website (www.nomoreaolcds.com) para
alavancar a coleta e conseguiram, até agora, juntar cerca de 130 mil peças.
Os CDs vieram dos 5 continentes.
A revista foi ouvir a AOL e o portavoz, Nicholas Graham, não se fez de
rogado: "Vamos continuar a enviar os CDs. Para cada meia dúzia de pessoas
que pedem para não mandarmos para eles, há centenas que desejam recebê-los."
A AOL, que distribui 1 milhão de CDs por semana, pretende facilitar a tarefa
para seus detratores e aproveitar o material devolvido no seu programa de
reciclagem.
Essa notícia faz-me pensar. E muito.
Até onde vão os direitos das empresas distribuirem suas peças
promocionais - pelo correio ou através de outros meios, como telefax e
internet? A resposta arrogante do funcionário da AOL parece demonstrar que
os responsáveis, nas grandes corporações, não têm dúvidas sobre a ética e a
legalidade do que fazem.
Mas lembro-me que, há menos de 20 anos, estava indo de N. York a
Providence num avião em que os muitos passageiros fumantes estavam tornando
o ar irrespirável. Chamei a aeromoça, para dizer que estava incomodado, e
ela respondeu-me: Senhor, não posso infringir os direitos constitucionais
dos outros passageiros.
Não faz 20 anos - e veja o que aconteceu aos fumantes. Na minha
opinião, tiveram seus direitos atropelados até demais.
Pois acho que, se os profissionais de marketing direto - e seus
clientes - não começarem a pensar em formas mais inteligentes e respeitosas
de utilizar seus instrumentos promocionais, as sociedades vão encontrar
maneiras legais - e violentas - de reprimí-los. E vai começar nos EUA, quer
apostar?
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J. Roberto Whitaker Penteado .::. whitaker@grito.com.br
Membro do Conselho Superior da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Diretor do
primeiro curso regular de marketing no Brasil, criado pela Fundação Brasileira de Marketing.
Jornalista, professor, conferencista, consultor de empresas, escritor e poeta. Graduado em
Economia e Pedagogia, mestrado em Ciências Políticas (IUPERJ) e doutorado em Comunicação e
Cultura - ECO/UFRJ. Tem 7 livros publicados. Redator do "Codigo de Etica do Profissional de
Marketing" do Brasil. Conheça o site:
www.jrwp.com.br.
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