Para entender o Copyleft
27:abr:2003 |
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natureza do copyleft é ainda controversa para
a maior parte das pessoas. O conceito não tem uma definição única, ainda carrega muita ideologia e
como toda ideologia, depende um pouco da "paixão" de quem a abraçou e da adesão de novos simpatizantes.
Não é fácil querer subverter na cabeça do mundo todo o conceito de copyright, tão natural dentro do
pensamento monetarista e individualista que toma conta da sociedade há décadas. Nem é simples divulgar
algo que vai contra os principais interesses da maior parte das empresas do mundo todo, uma vez que os
royalties - fruto direto do copyright - financiam corporações nos quatro cantos do planeta.
Mas... (e tem sempre um mas) quando o desafio vale a luta, só desiste quem realmente não acreditava.
Um dos aspectos positivos do copyleft é a capacidade de formar comunidades em torno dos mais diversos
temas. O conhecimento é compartilhado dentro das comunidades, mas não é escondido por elas. Pode ser
acessado por qualquer um que abrace a causa ou ainda que se interesse em ficar melhor informado. E
justamente por este motivo o copyleft ganhou a simpatia e se tornou a causa de muitos pensadores,
estudantes, profissionais e acadêmicos que se interessam pela informação livre, nas mais diversas
áreas do conhecimento.
O problema é quando o copyleft é distorcido de seu objetivo inicial - tornar a informação livre e
acessível ao maior número de pessoas - e transformado em informação restrita novamente, sendo vendida
sem crédito aos seus autores e rendendo lucros a quem não mexeu uma palhaon para compartilhar idéias e
conceitos.
Mas peraí... copyleft não é livre? Porque citar o autor (ou a fonte)? A chave do entendimento pode
estar nesta simples dúvida, que acomete a todos no primeiro contato com a idéia do copyleft. Informação
livre, conhecimento livre, divulgação livre, mas vindos de algum lugar. Alguém pensou primeiro, depois
pesquisou, discutiu, reuniu dados, cruzou informações e gerou conhecimento. Portanto é autor da obra.
Seja um simples texto ou até um livro, tudo que tem autor tem fonte. E no ambiente digital e
hipertextual (internet, para ser mais claro), tem link.
O cerne está na fonte (e no link). Quem é autor pode abrir mão de lucro direto vendendo a obra, mas
não abre mão da reputação. É ela quem garante ao autor o reconhecimento de seu trabalho e
leva à contratação para aplicar seu conhecimento: uma consultoria, uma pesquisa direcionada, um artigo,
um treinamento, aula, curso, palestra ou qualquer forma de trabalho que traga indiretamente o retorno
pelo copyleft praticado.
Isto não significa que praticar copyleft seja procurar fama. Se for entendido assim, não foi entendido.
O copyleft é, acima de tudo, o domínio público do conhecimento.
"Os investimentos em conhecimento geram os melhores dividendos."
(Benjamim Franklin)
Leia também:
O poder transformador da informação livre
Para saber mais sobre Copyleft:
Sobre copyleft e reputação:
Marketing Hacker. Vide livro homônimo do mesmo autor, Hernani Dimantas.
Lawrence Lessig e o Direito Autoral, por Michael Stanton:
http://www.estadao.com.br/tecnologia/coluna/stanton/2002/fev/17/21.htm
O que é copyleft? O Projeto GNU e a Fundação para o Software Livre:
http://www.gnu.org/copyleft/copyleft.pt.html
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