"Idéias todo mundo tem. Como é que entram na cabeça da gente?
Entram porque a gente lê, observa, conversa, vê espetáculos."
(Ruth Rocha)
omo é que se aprende a fazer algo? Da mesma forma
como aprendemos a andar, falar, escrever e até mesmo a pensar. Copiando, imitando, tentando reproduzir
com perfeição aquilo que vemos os outros fazerem - até mesmo melhorando aquilo que já é feito. Falando
mais claramente, estudando idiomas para se comunicar melhor com o mundo, reconhecendo idéias no
talento alheio, inspirações e a genialidade que levam à costurar várias idéias "criando" algo novo.
Criatividade é um conceito que já foi tão malhado, distorcido e levado ao Olimpo, que hoje é difícil
mesmo para os profissionais que lidam diariamente com a sua criatividade saberem o quanto são
efetivamente criativos - ou se são reprodutores de conceitos.
Em O Ócio Criativo, o italiano Domenico de Masi destaca que hoje ninguém cria algo a partir do nada,
mas sim reúne informações que estão à sua volta para destilar uma conclusão, algo que nos habituamos
a chamar de novo, de criação.
Pensando dessa forma, seríamos todos uns plagiadores. Mas não é bem essa a idéia. Dentro do mundo dos
criativos - esses seres tão valorizados pelo mercado hoje em dia como se fossem semi-deuses raros e
intangíveis - é comum buscar inspiração.
Na busca de inspiração, muitas vezes recorre-se ao alheio para saber em que direção seguir, qual a
melhor forma de traduzir determinada idéia ou conjunto delas, para saber o que poderia ser mais
adequado ao briefing, como é que estão fazendo para representar idéias semelhantes.
Webdesigners recorrem aos sites de design, a sites como
www.coolhomepages.com,
www.mediainspiration.com,
www.4efx.com.br,
www.tanaweb.com.br,
que são verdadeiras enciclopédias de bons trabalhos, com links para dezenas e dezenas de sites de
destaque.
Diagramadores se voltam aos catálogos de revistas e jornais mundo afora e aos trabalhos premiados.
Fotógrafos buscam olhar alguns dos livros daquela pilha enorme de portfólios de outros fotógrafos de
destaque. Designers recorrem aos seus índices de marcas, folheando livros com centenas de logotipos.
Videografistas assistem aos seus clipes e filmes preferidos. Publicitários se voltam aos trabalhos
premiados em Cannes, nos Clubes de Criação e aos seus arquivos de peças. Equipes realizam longos
brainstorms. E assim acontece com os vários profissionais da criação.
É nesse momento que a postura profissional e a carga cultural de cada um fazem a diferença. Para
melhor, ou para pior. Quanto mais experiência e cultura (visual, textual, musical e assim por diante)
carrega o profissional e sua equipe, melhor funcionará a inspiração.
Para os iniciantes, o erro mais comum é tentar copiar algum bom trabalho, achando que ninguém irá
perceber. Esse é um engano que a experiência aos poucos desfaz. Se não desfaz, é bom lembrar que
pirataria é crime e que plágio é uma forma de pirataria, mesmo que só moralmente.
Aos experientes, essas referências vão se misturando e acelerando o ritmo do pensamento, realizando
pequenas sínteses que vão se tornando cada vez maiores e levam quase sempre a uma boa idéia. Esse é o
papel da insiração. Um trabalho que em equipe é bem mais complicado e exige muita experiência, muita
tolerância e principalmente afinidade. Nada que alguém determinado não consiga aprender.
Afinal, voltamos ao conceito lá de cima: aprender. Plagiar ensina muito pouco. Ajuda a manejar melhor
as ferramentas de trabalho, ajuda a compreender o processo de execução, mas não ajuda em nada a
desenvolver o processo criativo.
Aprender é muito mais difícil e requer determinação, como já dito. O resultado vem aos poucos, vai se
incorporando à mente e formando um profissional mais ético, mais maduro e mais experiente.
Nada neste texto é original. São idéias reunidas com o tempo, aprendidas com colegas de trabalho,
professores, amigos, pais, chefes, orientadores, livros e também sozinho. Aprendendo a pensar,
acabamos por aprender a educar nossa mente. E esse é um prazer que não pode ser ensinado, deve ser
aprendido.
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