os dias de hoje, a palavra interatividade dita a
moda em todos os meios de comunicação e informação. Seja através da televisão, do cinema, do teatro,
da publicidade, da informática, etc., a crescente "indústria da interatividade" torna efetiva a
participação do público na construção da mensagem, ou pelo menos, faz o público acreditar nisso. Por
exemplo: Os programas de t.v. e rádio permitem escolher uma entre três respostas sobre determinado
assunto ou uma entre três músicas pré-determinadas; as cadeiras do cinema se movimentam em sincronia
com o filme exibido; o ator desce do palco em direção à platéia que surpresa, deve interagir com a
peça; e assim por diante. Mas será que qualquer coisa cujo funcionamento permite ao seu receptor algum
nível de participação pode ser chamada de interativa?
Se levarmos em conta que o conceito de interatividade é mais profundo que simplesmente o indivíduo
escolher uma alternativa entre três já impostas, ou sacolejar o corpo enquanto assiste a um filme, a
resposta é negativa. Sabe-se que o sentido real da palavra interatividade pode ter surgido no final
dos anos 70, pois antes não há referências nos dicionários. Basicamente, sua origem tem ligação direta
com o advento das novas tecnologias da comunicação, mas existem controvérsias. Uma das hipóteses, ao
meu ver a mais plausível, situa-se no campo das artes. É a busca da participação do público, firmada
principalmente pelos artistas dos anos 60 (através dos movimentos da pop arte, antiarte, vídeo-arte,
entre outros), que faz surgir a interatividade como uma condição revolucionária nos anos 80, mas que
atualmente tende a banalização.
Nesta época, os artistas acreditavam que a arte não deveria ser apenas vista, mas penetrada fisicamente
pelo público. Assim, as obras eram inacabadas e o público dividia a responsabilidade de autoria com os
artistas. Um exemplo disso foi o pintor e escultor brasileiro Hélio Oiticica, que através de seus
"parangolés" vestia de capas o visitante e este determinava uma visão diferente da contemplada pelo
próprio autor. Ainda dentro dessa perspectiva de "arte com a participação do espectador" se enquadraram
as obras metafísicas de Sulamita Mareines com seus ambientes forrados de espelhos, onde o público se
via infinitamente refletido. Em ambos exemplos, houve uma real interatividade do público, pois este
último colaborou efetivamente para as várias possibilidades na construção da mensagem e não
simplesmente, agiu como parte integrante da obra.
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