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Interatividade: Ficção ou realidade?
[ A arte é uma mentira que diz a verdade ] Pablo Picasso
28:set:2001

os dias de hoje, a palavra interatividade dita a moda em todos os meios de comunicação e informação. Seja através da televisão, do cinema, do teatro, da publicidade, da informática, etc., a crescente "indústria da interatividade" torna efetiva a participação do público na construção da mensagem, ou pelo menos, faz o público acreditar nisso. Por exemplo: Os programas de t.v. e rádio permitem escolher uma entre três respostas sobre determinado assunto ou uma entre três músicas pré-determinadas; as cadeiras do cinema se movimentam em sincronia com o filme exibido; o ator desce do palco em direção à platéia que surpresa, deve interagir com a peça; e assim por diante. Mas será que qualquer coisa cujo funcionamento permite ao seu receptor algum nível de participação pode ser chamada de interativa?

Se levarmos em conta que o conceito de interatividade é mais profundo que simplesmente o indivíduo escolher uma alternativa entre três já impostas, ou sacolejar o corpo enquanto assiste a um filme, a resposta é negativa. Sabe-se que o sentido real da palavra interatividade pode ter surgido no final dos anos 70, pois antes não há referências nos dicionários. Basicamente, sua origem tem ligação direta com o advento das novas tecnologias da comunicação, mas existem controvérsias. Uma das hipóteses, ao meu ver a mais plausível, situa-se no campo das artes. É a busca da participação do público, firmada principalmente pelos artistas dos anos 60 (através dos movimentos da pop arte, antiarte, vídeo-arte, entre outros), que faz surgir a interatividade como uma condição revolucionária nos anos 80, mas que atualmente tende a banalização.

Nesta época, os artistas acreditavam que a arte não deveria ser apenas vista, mas penetrada fisicamente pelo público. Assim, as obras eram inacabadas e o público dividia a responsabilidade de autoria com os artistas. Um exemplo disso foi o pintor e escultor brasileiro Hélio Oiticica, que através de seus "parangolés" vestia de capas o visitante e este determinava uma visão diferente da contemplada pelo próprio autor. Ainda dentro dessa perspectiva de "arte com a participação do espectador" se enquadraram as obras metafísicas de Sulamita Mareines com seus ambientes forrados de espelhos, onde o público se via infinitamente refletido. Em ambos exemplos, houve uma real interatividade do público, pois este último colaborou efetivamente para as várias possibilidades na construção da mensagem e não simplesmente, agiu como parte integrante da obra.

Rosália do Vale .::. rosalia@grito.com.br
Rosália do Vale é jornalista e redatora publicitária. Saiba mais do seu trabalho através do site http://rosaliadovale.wordpress.com.

 

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